#13 Todos queríamos ser especiais... e sobre a depressão Parte 1


Finalmente uma postagem mais séria neste blog caótico, não definido, aleatório e tudo mais. O desejo de não ser apenas mais um entre bilhões e ter algo de diferente, especial ou notável é algo que muitos, se não a maioria gostariam, seja tendo isso em mente de forma consciente e pública ou em pensamentos mais íntimos, talvez até de alguma forma profundamente velados. Muitas batalhas de ego se desenvolvem neste terreno fértil, as pessoas muitas vezes querem ser superiores aos seus pares, colegas, procurando se destacar em algo, talvez até num nível inconsciente e além disso a sociedade capitalista estimula muito a competição, é uma forma de dar prosseguimento a um nível de produtividade, às vezes de forma muito severa como acontece em muitos países desenvolvidos como o Japão, onde o trabalho chegou a um nível absurdamente competitivo, embora a competição está bastante presente em praticamente todos países com uma necessidade de manutenção ou crescimento na economia... de toda forma é um dos sustentáculos do modo em que vivemos atualmente e claro que há muitas consequências, sejam boas e ruins desta competição entre indivíduos na sociedade. No entanto, por mais que alguns possuam fama, dinheiro, status e muitos tentem realmente ser especiais no ponto de vista alheio, talvez dedicando uma vida toda a isso, infelizmente a verdade é que ninguém é de fato especial, há bilhões de estrelas com planetas como o nosso, bilhões de galáxias, talvez até milhões ou bilhões de universos, a perspectiva cósmica é muito necessária pra validar a nossa insignificância. Somos todos seres efêmeros e embora alguns pouquíssimos consigam fazer seus feitos e obras perdurar por centenas de anos, na verdade são só seus nomes, suas gravuras que vemos, embora estejamos gratos pelas suas proezas. Mas em uma pequeníssima escala somos sim especiais de algum modo para umas poucas pessoas, sejam familiares, amigos e colegas ou até para nós mesmos, o chamado pequeno círculo que afetamos e modificamos diariamente. Mas um problema sério é quando as pessoas meio que chafurdam de forma parcial ou total numa lama densa e escura que vai puxando para baixo, as vezes com uma força crescente, procurando derrubar o indivíduo e afogá-lo, privando-o de uma liberdade, de uma normalidade, paralisando-o no espaço e no tempo, talvez possa parecer simbólica esta descrição, mas não o é, pois esta lama chamada depressão não deixa de tirar a liberdade, além de se agarrar, se afixar e ela dá a impressão de confinar a pessoa, muitas vezes impedindo a mesma de prosseguir com sua vida de forma positiva, privando-a de almejar e buscar o novo. Não gosto de falar de perspectivas pessoais, mas como na minha opinião o nível de empatia chega ao máximo apenas quando você está exatamente no mesmo lugar que a pessoa em questão (só realmente entendi o sofrimento de uma colega que tinha insônia e vivia dormindo em classe quando comecei a ter também o mesmo problema recentemente) e juntando isso ao fato de eu enfrentar a depressão por uns bons anos já, sei como é importante ter de falar sobre, sei como é de fato viver diariamente com a depressão e no meu caso bipolaridade também e sei como são os preconceitos contra pessoas com doenças deste tipo. Além de tudo isso há o fato de haver um crescimento bastante expressivo de casos de depressão, no Brasil e no mundo inteiro, em várias faixas etárias. Enquanto as pessoas não tiverem clareza o suficiente sobre o assunto, considero necessário aborda-lo. Continua na parte 2.

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